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Promotoria investiga aplicativo Simsimi para crianças com teor sexual e violência

Abril 28 / 2018

Inquérito foi instaurado após várias mensagens de grupos de mães e pais que se comunicam pelo WhatsApp preocupados com o uso pelos filhos do aplicativo.

Após ter recebido várias mensagens de grupos de mães e pais que se comunicam pelo WhatsApp preocupados com o uso pelos filhos do aplicativo para tablets e celulares Simsimi, uma espécie de “amigo virtual” que interage com pequenos usuários, por meio de conversação, fazendo uso de expressões chulas, com teor sexual, violentos, com ameaças de morte e até incentivo ao suicídio, a promotora de Justiça da Infância e Juventude da Capital Luciana Bergamo instaurou , um inquérito civil para investigar a possível exposição de crianças e adolescentes a conteúdo inadequado por meio do aplicativo e se as mensagens trazem prejuízo à saúde e ao desenvolvimento delas.

Durante a semana, a promotora baixou o aplicativo em dois aparelhos de telefonia celular, um por meio a Apple Store (sistema operacional IOS) e outro por meio da Google Play (sistema Android). No primeiro caso, o aparelho de telefonia exigiu a senha para a instalação do aplicativo e, no outro, ele foi instalado diretamente, sendo possível concluir que qualquer criança ou adolescente pode ter acesso a ele à revelia de seus pais ou responsáveis.

A Promotoria fez uma pesquisa e verificou que na descrição do aplicativo consta, como classificação indicativa, a idade de 16 anos. Consta, ainda, a seguinte mensagem: “uso infrequente/moderado de obscenidades ou humor grosseiro. Temas adultos/sugestivos frequentes/intensos. Conteúdo sexual e nudez frequente/moderado”. A Promotoria também pesquisou matérias jornalísticas que revelaram a preocupação dos pais de crianças e adolescentes com o aplicativo.

A página da Safernet Brasil na rede social Facebook informou, no dia 21 de abril, que a empresa responsável pelo aplicativo anunciou a suspensão dos downloads dele na Apple Store e no Google Play no Brasil, reconhecendo que o aplicativo tem fornecido respostas com ameaças de crime, como homicídio e sequestro, a crianças e suas famílias. “

“Até esta sexta-feira, no entanto, apesar de divulgada a suspensão, quem já o instalou continua tendo a possibilidade de interagir com o “amigo virtual”, não havendo notícia de que tenha sido implantado controle quanto ao conteúdo das conversas, que tratam de sexo, bullying, xingamentos, ameaças de morte e até mesmo instigação ao suicídio, com evidente risco aos usuários”, escreveu a promotora no inquérito.

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